Recorde a conversa que mudou alguma coisa na sua vida. A decisão de fundar uma empresa, de sair de uma, de mudar de cidade, de ficar. Quase de certeza aconteceu num sítio concreto: uma cozinha às duas da manhã, um banco durante um passeio, uma mesa de onde os pratos já tinham sido levantados e de onde ninguém se queria levantar. Lembramo-nos do lugar tão nitidamente como das palavras. É assim que a memória funciona, e é assim que as boas decisões se tomam.
A economia moderna decidiu discretamente o contrário. As conversas acontecem em chamadas. A aprendizagem acontece em plataformas. O descanso acontece em quartos que podiam estar em qualquer lado, porque foram desenhados para isso. O resultado é uma estranha planura: mais trocas do que nunca, e cada vez menos de que alguém se lembre um mês depois.
Primeiro a terra
Quando o YAH começou, a primeira coisa que escolhemos não foi um conceito, nem um operador, nem uma marca. Foi um terreno. Quarenta hectares de sobreiros e erva seca perto de Santiago do Cacém, no interior da costa alentejana, sobre colinas suaves e debaixo de um céu muito grande. Escolhemo-lo porque era silencioso, porque era antigo e porque não era o mar. A costa é para onde toda a gente vai. O campo atrás dela é onde ainda se consegue pensar.
Só depois perguntámos o que deveria acontecer aqui. A resposta chegou devagar e revelou-se simples: as coisas que precisam de um lugar para acontecerem bem. O descanso, que precisa de silêncio. A aprendizagem, que precisa de um grupo pequeno e de uma tarde comprida. O encontro, que precisa de uma mesa e de nenhuma razão para a deixar. A cerimónia, que precisa de um céu.
O mundo não precisa de mais um hotel. Precisa de lugares que nos juntem.
Um lugar é uma promessa
Um hotel promete um quarto. Um lugar promete que algo lhe pode acontecer enquanto lá estiver. A segunda promessa é mais difícil de cumprir, porque depende da terra, da luz, da distância e das outras pessoas que vieram. Não pode ser franchisada e não pode ser apressada. Estamos a construir devagar, com um plano diretor que põe as árvores primeiro e os edifícios entre elas, porque um lugar que importa é feito de tudo o que já lá estava antes de chegarmos.
Se tem uma conversa que anda a adiar, ou uma pergunta que carrega há algum tempo, é para isso que o YAH existe. Venha com ela. A terra faz o resto.